O cenário era árido e abafado, as solas de suas botam tocavam o solo seco e pedregoso penitentemente ao atravessar aquele vazio esquecido. Ao se aproximar da porta e tirar o chapéu feito de material grosseiro pode-se ver seu rosto envelhecido pelo sol e pelo trabalho árduo. Pendurou sua espingarda nas costas com uma tira transversal, bateu uma bota contra a outra a fim de sacudir a poeira e entrou humildemente. Fez uma genuflexão e se encaminhou rumo ao confessionário. Quando chegou a sua vez de ser atendido disse:
- Bom dia seu padre, eu pequei. Conheci uma mulher e...
- De novo meu filho! Não posso continuar te absolvendo assim nem com mil ave-marias.
- Mas antes da bronca espere, pois o senhor não me deixou nem ao menos contar como ela era!
- Ah! Eu não quero saber como era essa mulher; artifício do cão!
- Pois eu não entendo seu padre, nos mandamentos não se diz que é pecado cobiçar a mulher do próximo? Então, eu acho que ela não era de ninguém não.
- Isso continua a ser pecado porque você é um homem casado! Seus atos são atentados contra o santíssimo sacramento, e dessa forma eles são uma afronta a vontade de nosso Senhor.
- Ai, eu continuo sem entender nada então! Nem assinar papel nenhum eu assinei...
- Dai-me forças, oh santíssimo que morreu na cruz! O que você tem que entender é que se continuar com essa postura vai acabar ardendo no inferno!
- Cruz credo! Vira essa boca pra lá! Ê padinho, o senhor sabe não é, o Tinhoso só tenta quem está perto de Deus.
- E você meu filho, por misericórdia, continua caindo em tentação do coisa ruim!
- Como diz o povo por aí, é só misturando mesmo pra saber o que vai dar... Bom, tenho que voltar pra fazenda. Agradecido seu padre, até a próxima.
O padre suspirou desiludido:
- Dê-me forças Senhor!
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Fora de Controle
Do lado de fora o movimento selvagem, mas não a vida, já se extinguia. O prédio encarava com aspereza a avenida e tudo o que passava por ela. Dentro dele, uma verdade em parte distinta dos mundos exteriores, algo que existia sob uma concepção mais funcionava sobre diferentes óticas. Um homem encorpado e taciturno com um distintivo preso a calça e uma fisionomia transtornada e exaurida entra novamente como um animal descontrolado dento da sala e parte para cima de outro homem de macacão laranja cujas mãos estavam algemadas. Ele é agredido cruelmente sem que os demais indivíduos presentes reajam. Finalmente o homem com distintivo aparente é contido por outros dois e grita inconformado com toda ira que pode emanar de seu ser:
- Porque, porque seu maldito vagabundo, porque resolveu se meter justo com minha irmã?
O homem atirado ao chão não esboçou nenhuma outra reação que gemer e tossir sangue. No momento em que o outro lhe agrediu novamente, lhe agarrou pelo pescoço e olhou no fundo de seus olhos este desviou o olhar, suspirou apaticamente e murmurou em baixo tom:
- Eu não queria machucá-la. A necessidade, a necessidade... Eu estava desesperado.
- Porque, porque seu maldito vagabundo, porque resolveu se meter justo com minha irmã?
O homem atirado ao chão não esboçou nenhuma outra reação que gemer e tossir sangue. No momento em que o outro lhe agrediu novamente, lhe agarrou pelo pescoço e olhou no fundo de seus olhos este desviou o olhar, suspirou apaticamente e murmurou em baixo tom:
- Eu não queria machucá-la. A necessidade, a necessidade... Eu estava desesperado.
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